Name:
Location: Brasília, DF, Brazil

Eu sou a menina que passava as tardes de férias na fazenda, em cima da goiabeira, lendo. E os meses de aula na casa da árvore, lendo. Ou deitada na cama, lendo, sem ouvir que o almoço estava na mesa. Hoje, queria ler mais do que eu gosto e menos do que eu preciso. Mas a gente aprende que a gostar do que faz, em lugar de fazer o que gosta?

Tuesday, August 30, 2005

Dos meus motivos (ou da falta deles) pra fazer algo que eu considero estranho

E para começar...

Bom, eu tenho um amigo que está insistindo comigo, há um bom tempo, pra ter um blog. E eu sempre achei que era coisa de gente muito à toa, ou muito só, ou muito egocêntrica. Finalmente, como em tantas outras situações, eu resolvi ceder à sugestão do amigo e tentar algo novo. Por quê? Bom, eu não sou à toa, então deve ser uma mistura de egocentrismo e solidão. É lógico que se eu tivesse um monte de outras pessoas pra ouvir o que eu acho do mundo, eu não ficaria escrevendo isso aqui. E, certamente, assim que outros interesses mais prementes surgirem, esse blog será deixado meio de lado. Mas enquanto nem um, nem outro, acontece, vou tentar para ver no que dá. Aí fica a sensação de que alguém um dia pode tropeçar nesse endereço e ler. Como recentemente eu descobri que tem gente que lê as páginas dos outros no Orkut - e pior: eu me peguei lendo a página dos outros, e querendo que os outros escrevessem mais sobre si mesmos, e revelassem enfim quem eles são de verdade, porque uma pessoa é tudo quando ela se descreve, menos ela mesma -, acho que com blogs deve ser a mesma coisa. Pronto, está vendo o anseio egocêntrico de atenção já se revelando?

O negócio é que eu descobri, também, que quanto mais tempo a gente passa sozinho, mais a gente pensa. Eu acho até que é por isso que os grandes pensadores da Humanidade sempre passaram muito tempo sozinhos. A gente nunca ouve falar de um grande filósofo que também era conhecido como o melhor organizador de festas da sua época:
"- Cara, você foi na balada do Freud essa semana?
- Ah, véi, foi até legal, mas o Jung é bem melhor pra organizar umas festas bem doidas!
- Como assim, cara, só dá gente maluca nas festas do Freud!
- Sabia que eu ouvi dizer que as melhores festas, mesmo, foram aquelas que o Leonardo dava?
-Que Leonardo?
- Como assim? Da Vinci, lógico.
- Ah, também, ele e o Michelangelo viviam disputando quem era o melhor anfitrião..."

Bem pouco provável, né?

Mas voltando ao assunto: grandes pensadores pensavam muito porque passavam muito tempo sozinhos (ou o contrário? Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?). Só que eu não sou um grande pensador. O que significa que, quando eu fico sozinha, eu penso é bobagem, mesmo. MUITA bobagem. E infelizmente a sociologia, a história e a psicologia (e outras tantas disciplinas) já constataram que o ser humano é um ser social. Eu juro que eu tentei me isolar nos meus livros e CDs de blues, mas o fato inescapável é que não se deixa de ser humano do dia para a noite. Ou jamais, pra dizer a verdade (a não ser que você tenha um endoesqueleto de adamantium e um senador queira te banir do convívio social...). Então, já que essa é uma necessidade humana básica, começo eu a exercê-la também. Assim, lê quem quer, comenta quem for amigo e ninguém fica me olhando com aquela cara de "puxa, por que você não conversa como as outras pessoas?". Porque, afinal, quem são essas outras pessoas? Eu só aprendi a conversar assim...




0 Comments:

Post a Comment

<< Home